sábado, 19 de agosto de 2017

Codinome Jazigo

O que sente a criança no abandono?
O cão largado no acostamento?
O mendigo esquecido
Em um mundo cheio de sofrimento.

Viver, para muitos é um desafio constante
Para alguns existir é o suficiente
Passando por tantos corpos no dia a dia
Como se mortos tivessem 

Não enxergamos o que tem por dentro
a casca que habita o ser
diz com a boca o que o coração não sente
esperança morta vagueia 

Em busca de uma gota  que sacie sua fome
mendiga a vida, apesar do que se come
Vivem os fantasmas que passeiam pelas calçadas
cegos, vislumbram apenas o passado

Jaz na pedra de mámore
a lápide que em vida sustentou
desviando daquilo que plantou
fingindo a todos enganar com maestria
sofre o ser, sem contar o que sentia



domingo, 13 de agosto de 2017

Reverso

Vivo mergulhado em Mil sonhos
Cada parte desconexa
Cada lado me leva para fora
Me trazendo para dentro de ti, de mim, de nós.

Sou um que não sabe ser dois.
Me sustento em ser você antes de mim
Meu alento
saber que estás a minha espera
Me resgatando, me curando, me mantendo de pé.

A livre sensação de ser livre
Uma liberdade que me acorrenta
Faz sangrar o que eu sinto
Um desejo que não alimenta.
Destrói tudo pelo caminho
Mesmo quando o retenho dentro de mim.

Um livro esquecido na estante
Uma música perdida no tempo
Uma carta escrita na lembrança
Um verso.
Apenas.